Terça-feira, 20 de Janeiro de 2004

A SEREIA E O POETA

Caído de joelhos na areia
Olhos perdidos, vagando pelos ares
não perceberam a linda sereia
que surgia brejeira, vinda dos mares

O céu escureceu
e a noite chegou umbrosa
olhei para o mar e vi
a rainha dos mares dengosa


Os pássaros voavam
sempre aos pares
Talvez eles fugissem
da vampira dos mares


Ela chamou meu nome
com uma voz doce e calma
dei um passo vacilante
e a sua voz encorajou minha alma


Caminhava firme agora
sempre em sua direção
ela sorria e chamava-me
desafiando dos mares a imensidão


Fui me aproximando e comecei a nadar
ela então chegou mais perto e parou
pude então vê-la perfeitamente,
e a feiticeira dos mares assim falou:


"-- Ó poeta triste,
ouvi teu pranto e vim te buscar
não chores mais pela amada perdida,
nem pela vida que há de acabar.
Se sofrias pela solidão imposta
a tua alma atormentada ainda
despeça-se de tudo que não gosta
pois conhecerás a morte linda!"


Fitei-a longamente
e contemplei a sua beleza
a sua alvura e cabelos ruivos
que se escondiam nas profundezas


Por fim aceitei a minha sorte
sorri e segurei a sua mão
sabia que aceitara a dama da morte
e minha vida lhe pertencia então


Mergulhamos, e fui deixando-me levar
não sentia mais meu corpo molhado
olhei profundamente seus olhos rubros
e despedi-me das dores do passado


Ambos sabíamos o que aconteceria
o momento fatal se aproximava
as horas perderam o sentido
o tempo já não mais importava


Foi então que paramos
o silêncio que nos cercava
ambos nos contemplamos
o fim finalmente chegara


Aproximou-se de mim e inclinou a cabeça
beijou-me profunda e longamente
os meus braços a envolviam
e ela envolvia a minha mente


Os seus lábios eram doces
E a sua lingua passeava por minha boca,
Ela me segurava e sugava minha vida,
Sedenta, encantadora e louca


E que ingrata surpresa
quando ela parou e se afastou
os seus cabelos flutuavam
e virando-se falou:


"-- Ó poeta da noite,
não posso roubar tua vida
mesmo eu sendo dos mares bandida
não posso tirar-te da solidão!
A tristeza que te acompanhas é eterna
tão eterna quanto sua paixão,
sei que queres aliviar teu sofrimento,
pobre de ti, que tens coração!
Devolverei-te a branca areia
de onde não devia tê-lo tirado
Mas por favor, não esqueças esta sereia
e saibas que és meu amado!"


E então, incrédulo e perturbado
por não ter minha vida ela roubado
falei pela primeira vez:
"--olha pra mim, vampira dos mares,
e diz-me o que vês!
Verás a minha alma atormentada
pela morte que nunca chega
Será que não vês isto, ou serás tu cega?
E ousas dizer que sou teu amado,
zombas do poeta triste e atormentado?
se te divertes a amargura do meu coração
vai-te embora, e deixa-me aqui calado"


E ela respondeu:
"--Escuta poeta obscuro,
presta atenção para entender:
O teu coração amargurado e impuro
deseja a morte desesperadamente
e tu não percebes o encanto de tua mente.
És belo, louco e atraente
E a morte também te deseja,
Por isso não quer consumir
os teus olhos escuros e penetrantes,
nem mesmo o teu cabelo longo e negro,
nem os teus lábios bem desenhados,
nem os teus sonhos amargurados,
nem a alvura da tua pele e
muito menos o resto
e agora com um beijo me despeço
pois tenho que ir
O dia ira nascer
detesto ter que partir
Mas assim terá que ser."


Incorformado, insisti:
"Espera! Então é assim?
Despedes-te e somes?
Percebes que a minha tristeza me consome,
E não ligas para mim?
Seremos amantes distantes?
Como o céu e o oceano,
que tanto se amam,
que percorrem o infinito
e nunca se encontram?"


Ela respondeu, em tom de despedida:
"É teu destino poeta, não há saída!
Amo-te, mas não posso possuí-lo.
A solidão fará em ti seu asilo.
Mas será triste também para mim!
Beijarei-te agora,
angelicamente e sem demora,
e só mais uma coisa pedirei:
Pelo nosso amor,
para que nunca me esqueças,
mesmo que te aborreças,
promete-me por este céu
que voltarás agora
pegarás num papel,
escreverás a nossa história,
e serás sempre meu.
E se sentir que tua alma chora,
ou que sua alma se apavora,
corre até esta areia
assim que chegar a aurora
E eu estarei aqui, a pensar em ti!
Agora vai, volta aos teus pensamentos ateus,
Lembra sempre: Amo-te! Adeus!"


Então ela beijou-me
Sorriu e partiu...


Este excelente texto foi inteiramente escrito pela minha nina...
publicado por zaitz3v às 19:35
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3 comentários:
De Nightwitx a 1 de Março de 2004 às 01:58
Porque não escreves tantas coisas belas para mim como para ela? Sentes o mesmo orgulho por mim como por ela? Tenho pena de não te inspirar tanto.. ou quase nada :(


De 69eyeliner a 21 de Janeiro de 2004 às 13:54
olha nino fikei sem msn... falamos plo Yahoo ?


De sollicitus succubus a 20 de Janeiro de 2004 às 19:54
LINDUH LINDUH LINDUH simplesmente LINDUH :D
foi mm a joaninha k o eskreveu?? ta mm linduh lol
:)) n konsegui parar d le.lo :D * * *


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