Terça-feira, 27 de Janeiro de 2004

Estranho...

Hoje fiz um teste de portugues. Mais um teste, nada de especial. Até que olhei para o poema que vinha no enunciado e pareceu-me ver um espelho. As palavras que li não podiam definir melhor o que eu sou. Deixo-vos aqui o poema, espero que gostem...

ABDICAÇÃO

Toma-me, ó noite eterna, nos teus braços
E chama-me teu filho... eu sou um rei
que voluntariamente abandonei
O meu trono de sonhos e cansaços.

Minha espada, pesada a braços lassos,
Em mão viris e calmas entreguei;
E meu cetro e coroa - eu os deixei
Na antecâmara, feitos em pedaços

Minha cota de malha, tão inútil,
Minhas esporas de um tinir tão fútil,
Deixei-as pela fria escadaria.

Despi a realeza, corpo e alma,
E regressei à noite antiga e calma
Como a paisagem ao morrer do dia.

Fernando Pessoa, 1913
publicado por zaitz3v às 14:06
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3 comentários:
De sophiee a 27 de Janeiro de 2004 às 19:09
sou uma grande admiradora de fernando pessoa por isso , kalquer poema que leia dele me maravilha, nuns me revejo noutros imagino...thanks por partilhares .jinhos


De 69eyeliner a 27 de Janeiro de 2004 às 18:34
olha, os messagers odeiam e n sei pk... o yahoo agr tb n dá... tens o mensageiro do sapo?


De Alien a 27 de Janeiro de 2004 às 18:25
Acho que o poema que li agora não define o meu estado de alma neste momento, mas já senti o que sentiste muitas vezes!
gostei!
1 abraço enorme ( pareçe que sou o primeiro a comentar)


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